50 medidas

para um Debate Intergeracional de Fundo na Sociedade Portuguesa pós COVID-19

 

Global Shapers Lisbon e 100 Oportunidades

Pertencemos a uma geração que chegou à vida ativa durante a crise das dívidas soberanas e que se encontra agora, nem 10 anos volvidos, na soleira de uma nova crise económica. Os números indicavam, já antes da pandemia, que apesar de sermos uma geração mais qualificada que a dos nossos pais, viveríamos em piores condições económicas. A perspectiva era assustadora. E não melhorou.

Fazemos parte de uma geração de emigrantes, de precários, de rendimentos estagnados, de pouco crescimento, que não tem dinheiro para viver sozinha e criar família, que tem dúvidas se vai ter reforma, que participa menos na política dos partidos.

Desenhamos este pequeno cenário para ilustrar o seguinte: decisões estruturais tomadas hoje sem uma participação activa desta geração, sem tomar em consideração o seu contexto, os seus desafios e as suas sensibilidades, estão condenadas ao fracasso. Se há tempo para uma grande jornada intergeracional de resolução de problemas, esse tempo é hoje.

E esta é a principal razão para termos decidido organizar um grupo de jovens, com idades entre os 20 e os 35 anos, para pensarem o futuro pós-pandemia nas suas áreas de conhecimento e atuação. Fruto desse exercício, apresentamos aqui um conjunto de medidas para diversos setores, elaboradas por jovens que neles trabalham, deles dependem e para os quais contribuem diariamente. É este, por isso, um documento no qual depositamos as nossas maiores preocupações.

Não vimos só da esquerda nem só da direita. Englobamos visões e preocupações distintas, mas transversais.  Pretendemos enquadrar os temas nos seus vários prismas, tendo em conta o contexto actual, e olhando para o futuro, tendo em vista uma sociedade portuguesa mais forte e capaz, nas mais diversas áreas. Preocupam-nos coisas diversas, e temos prioridades diferentes, consoante aquilo a que dedicamos a nossa vida. Estamos disponíveis para dar voz a essas preocupações, a essas prioridades. E que não se diga nunca que não foi porque não tentámos.

Este documento marca uma primeira interação, um ponto de partida, a partir do qual gostaríamos de construir, em diálogo e em debate com quem nos governa as soluções para os problemas que nos assolam.

O debate sobre o mundo que vamos ter após esta pandemia vai marcar a agenda dos próximos meses, quando finalmente ultrapassarmos a sensação de urgência de saúde pública e nos centrarmos no país que restou e nos próximos passos a tomar. 

Esse debate não pode ser feito sem a nossa geração, o que será o caso se ocorrer apenas entre governo, parlamentares, chefias e os especialistas de sempre.

Precisamos de compromissos e reformas de longo prazo e essas exigem um amplo e franco debate intergeracional. A hora de abrir esse debate chegou.

Este documento é um registo de presença: estamos cá para discutir economia, cultura, saúde, educação, trabalho, direitos humanos ou desporto, porque lhes dedicamos o nosso estudo, o nosso trabalho, a nossa vida. 

Até já, os autores